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FAPESP - Mogi

Desenvolvimento Neurocognitivo

O Mapeamento Cognitivo Cerebral foi realizado num grupo (NO) de 20 crianças matriculadas na 1ª série dominando a leitura semântica de palavras e as operações de soma e subtração manipuladas, e num grupo (DA) de 20 crianças matriculadas em várias séries, porém incapazes de realizar a leitura semântica de palavras e ainda com muita dificuldade na realização da soma e subtração manipuladas.

O Mapeamento Cognitivo Cerebral mostrou um desenvolvimento neurocognitivo distinto para as crianças DA em relação aquelas do grupo NO (Figs. 8, e 9).

1. Língua Portuguesa

O Mapa Cognitivo Cerebral de Regressão (MCCR) associado ao reconhecimento de palavras no grupo NO (Fig. 8 - RP) mostrou que o aumento da entropia de correlação h(ei) para os eletrodos F4, Cz, C4 e Oz está associado a um aumento do tempo de resposta (TR). Por outro lado, o aumento de h(ei) para os eletrodos F4, e P3 está associado a uma redução de TR. A análise fatorial revelou a presença de 3 padrões de covariância de h(ei). Primeiro desses fatores, mostrado no MCCF1, evidencia uma correlação de atividade entre os eletrodos F3, C3, Cz, C4 e F4. O segundo padrão (MCCF2) mostra uma forte correlação entre os eletrodos parietais e occiptais. O terceiro padrão (MCCF3) indica uma associação entre os eletrodos temporais direito e esquerdo. Esses dados podem ser interpretados, assumindo-se que o reconhecimento visual de palavras envolve uma participação de áreas nos dois hemisférios e relacionadas ao controle óculo-motor e memória executiva (Fator 1), análise visual (Fator 2) e reconhecimento das palavras (Fator 3).

O Mapa Cognitivo Cerebral de Regressão (MCCR) associado ao reconhecimento de palavras no grupo DA (Fig. 8 - RP) mostrou que o aumento da entropia de correlação h(ei) para os eletrodos FP2, Fz, Oz e P3 está associado a um aumento do tempo de resposta (TR). Por outro lado, o aumento de h(ei) para os eletrodos FP1, C4 e T5 está associado a uma redução de TR. A análise fatorial revelou a presença de 3 padrões de covariância de h(ei). Os 3 padrões se mostram semelhantes àqueles encontrados para o grupo NO. As diferenças mais marcantes que se observa na comparação dos MCCFs dos grupos NO e DA, se referem à a) inclusão de FP1 e FP2 no mapa MCCF1; b) a redução da participação dos eletrodos parietais no mapa MCCF2 e c) uma maior participação dos hemisfério direito no MCCF2 dos DA. Pode-se concluir, portanto, os dois grupos utilizaram estratégias diferentes para a realização do reconhecimento de palavras (RP).

A eficiência desses processamentos diferiu entre os dois grupos experimentais. Enquanto os alunos NO levaram em média 5 segundos para reconhecer as palavras, os alunos DA precisaram de 13 segundos para realizar a mesma tarefa. O tempo de resposta das crianças NO foi definido principalmente pela atividade das áreas MCCF1 e MCCF2, enquanto que para as crianças DA esse tempo dependeu principalmente das áreas MCCF3.

O Mapa Cognitivo Cerebral de Regressão (MCCR) associado à leitura semântica de palavras no grupo NO (Fig. 8 - LS) mostrou que o aumento da entropia de correlação h(ei) para os eletrodos Centro-Frontais Esquerdos e Parieto-Occiptais Direitos está associado a um aumento do tempo de resposta (TR). Por outro lado, o aumento de h(ei) para os eletrodos C4, F8 e P3 está associado a uma redução de TR. O MCCR das crianças DA mostrou que ou aumento de h(ei) no hemisfério direito aumentou TR, que diminuiu com o aumento de h(ei) para os eletrodos centrais.

Os MCCFs diferiram bastante entre os grupos NO e DA. A análise fatorial mostrou a existência de 3 padrões de atividade cerebral para o grupo NO e apenas dois para DA. O MCFs do grupo NO mostra uma semelhança muito grande com aqueles obtidos para a tarefa de reconhecimento de palavras (RP); a principal diferença são os valores maiores de h(ei) para o MCCF1 obtidos para a leitura semântica (LS) em relação a RP. Uma possível explicação para esse fato seria a de que as crianças NO fazem a leitura semântica nas duas tarefas. Se a pessoa lê, não há como bloquear a associação semântica na tarefa de pareamento de palavras. (18/14)

Por outro lado, os MCCFs para RP e LS no grupo DA também diferiram bastante, pois os mapas foram semelhantes ao do grupo NO no caso da RP e constituídos por 2 fatores no caso da LS. Esses dados podem ser interpretados assumindo-se que a criança DA identifica as palavras na tarefa RP através de uma comparação visual o que explicaria as diferenças encontradas para o MCCF2 e MCCF3 entre os grupos DA e NO para a tarefa RP e também a diferença de número de fatores observada para a tarefa LS.

A tarefa LS impôs uma dificuldade maior para a criança NO que levou 10 segundos em média para reconhecer a semântica da palavra apresentada, contra os 5 segundos que necessitou para a tarefa RP. Essa diferença está associada os padrões diferentes de MCCRs para essas duas tarefas no grupo NO. Os alunos DA levaram em média 18 segundos na tentativa de realização da LS, que resultou em geral na seleção da figura errada. Isso mostra que essa criança ainda não conseguiu desenvolver os circuitos neurais para a LS.

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