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FAPESP - Mogi

Anamnese e Avaliação Pedagógica

A análise da Base de Dados de Anamnese (BDA) e seu cruzamento com os dados da Base de Avaliações Pedagógicas (BAP) identificaram um conjunto de variáveis importantes na BDA e que são mostradas na Fig. 6.

Referências (CR) a dificuldades de aprendizagem de indivíduos da família da criança DA está em torno de 37% dos casos (HDA), enquanto que a negativa ou o desconhecimento (SR) dessa ocorrência apareceu em cerca de 63%. Relatos de estresse materno (EM) apareceram em 50% dos casos. A origem desse estresse é variada, porém, brigas com o marido (40%), separação do casal (16%) e morte na família (12%) foram as justificativas mais freqüentes. Problemas de saúde materna (SM) foram referidos em 40% das anamneses e Pressão Arterial Alta ou Baixa foi a explicação em cerca de 50% das vezes.

Fig. 6– Variáveis de Interesse na BDA

O Peso ao Nascer (PN) teve uma média de 2,92 Kg e variou de 1,6 a 3,8 Kg. O Desenvolvimento Motor (DM) avaliado pela época em que a criança começou a andar, tem a média de 1 ano e 1 mês, variando de 9 meses a 5 anos. O Desenvolvimento da Aquisição da Linguagem (DL) foi avaliado pela época na qual a criança começou a produzir as primeiras palavras, o que ocorreu em média com 1 ano e 4 meses, variando de 9 meses a 5 anos.

A análise de Regressão Linear evidenciou algumas relações importantes entre dos dados da BDA e BAP (Fig. 7).

Fig. 7 - Rede de Correlações

Assim, verificou-se uma relação entre Estresse (EM) e Saúde (SM) Materna de cerca de 40% e p < 0,006. Essa relação pode tanto indicar que SM contribuiu para aumentar o estresse da mãe ou que EM influenciou SM, por exemplo, influindo na evolução da pressão arterial da mãe.

SM se correlacionou tanto com DM (R= 32% e p < 0,04) quanto com DL (R= 22% e p < 0,01). A criança de mãe com problema de saúde andou e/ou falou mais tarde que a criança das outras mães.

O Peso ao Nascer (PN) e DM se correlacionaram (R= -28% e p < 0,04), isto é, a criança de baixo peso andou mais tarde.

O índice de erros (EQ) na identificação de quantidades se correlacionou com EM e DM (R = 81% e p< 0,000) e também com PN e DM (R = 84% e p< 0,000). Em outras palavras a criança de mãe estressada e que anda mais tarde apresenta um EQ maior. O mesmo acontece com a criança de menor peso e que anda mais tarde.

O erro na identificação de palavras (ERP) se correlacionou com DM (R = 62% e p< 0,00001). Por outro lado, o erro na leitura semântica de palavras (ELS) se correlacionou (R= 43% e p< 0,02) com ERP, com DL e com o histórico de antecedentes de dificuldades de aprendizagem na família (HDA). Em outras palavras, a dificuldade ler palavras aumenta para a criança que fala mais tarde e tem histórico familiar de dificuldades na escola. Esse erro depende da capacidade da criança em reconhecer palavras. Isto decorre, em nosso experimento, do fato de que se a criança não demonstrasse uma capacidade de reconhecer palavras, não era solicitada a realizar a leitura semântica.

O erro (ESO) na realização da Soma Manipulada aumentou com DM e HDA (R = 62% e p< 0,00001), isto é, a criança que andou mais tarde e tem parentes com dificuldades na escola comete mais erro de soma.

Finalmente, o erro (ESU) no cálculo da subtração se correlacionou com EQ e ESO (R = 56% e p< 0,001). Em outras palavras, o erro na subtração está correlacionado com a dificuldade de quantificação e adição.

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