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FAPESP - Mogi

2. O projeto ENSCER

2.1 APAE – Jundiaí – SP

Em 1997, a EINA – Estudos em Inteligência Natural e Artificial, a APAE – Jundiaí e a Faculdade de Medicina da USP se propuseram a desenvolver o Projeto ENSCER®, com o objetivo de desenvolver um sistema para diagnóstico das deficiências e distúrbios de aprendizagem e para auxiliar o desenvolvimento cognitivo das crianças portadoras dessas dificuldades (Fig. 1).

Esse projeto contou com o apoio financeiro do CNPq – Conselho Nacional de Pesquisas, na sua linha de Projetos Temáticos em Educação, e da FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, tendo sido um dos primeiros projetos financiados através do Programa PIPE – Programa de Inovação em Pequenas Empresas.

Fig. 1 – O projeto ENSCER
Registra-se o EEG da criança enquanto ela realiza atividades informatizadas sobre temas específicos ( leitura, escrita, aritmética, etc.). O EEG é depois processado para gerar os Mapas da Atividade Cognitiva Cerebral associada à resolução das tarefas propostas.

Através desse projeto, desenvolveu-se:
a) o software para apoio educacional “Aprendendo com Juca e Laura ® “, cujas atividades informatizadas são desenvolvidas de acordo com o programa curricular de cada série da Educação Infantil e Ensino Fundamental. Esse software é utilizado como ferramenta de apoio, complementando as atividades desenvolvidas em sala de aula e também como ferramenta para caracterização do desenvolvimento cognitivo da criança, e
b) o software “ Mapeamento Cognitivo Cerebral = MCC ” , para mapeamento da atividade cerebral associada à solução de atividades informatizadas do software Aprendendo com Juca e Laura ®.

O sistema MCC permite o estudo da funcionalidade cerebral da criança em idade escolar, e tem sido utilizado para investigar o desenvolvimento neural ligado ao aprendizado da leitura e escrita, bem como da aritmética.

A participação da Faculdade de Medicina da USP no projeto ENSCER®, permitiu, além da análise do desenvolvimento cognitivo com o sistema MCC, ainda uma avaliação da estrutura cerebral através da técnica de Ressonância Magnética Estrutural (RM) em um estudo com 146 crianças matriculadas na APAE de Jundiaí.

Fig. 2 – Deficiência Mental: As lesões mais frequentes
N – Normais; P – Patológicas; AR – Cisto Arachnoideo; ASV – Assimetria Ventricular; CC-H – Agenesia do Corpo Caloso; CC-T – Adelgassamento do Corpo Caloso; CO – Colpocefalia; GL – Gliose; LE – Leucomalacia; OT – Outras.

Esse estudo mostrou que:

a) a RM é normal em 50% dos alunos estudados e que os outros 50% dos alunos apresentam lesões estruturais de vários tipos (Fig. 2);
b) o estresse materno durante a gravidez é uma causa fundamental do insulto cerebral (estrutural ou não) associado à deficiência mental (Fig. 3),
c) o estresse materno associado aos problemas de saúde materna (hipertensão, diabetes, problemas ginecológicos, etc. ) é uma causa freqüente das lesões estruturais observadas na RM (grupo RML na Fig. 3), e
d) o estresse materno associado a antecedentes familiares de alcoolismo, doença mental, epilepsia e doença psiquiátrica, é uma causa freqüente de deficiência mental com RM preservada (grupo RMN na Fig. 3).

Fig. 3 – As causas mais frequentes

RMN – grupo sem lesão na Ressonância Magnética. RML – grupo com lesão na Ressonância Magnética.
Gravidez: N – norma,l P – pressão arterial alterada, S – estresse, A – tentativa de aborto, G – problemas ginecológicos, D – diabetes, O – outras.
Família: T – total de crianças com referências a problemas na família, M – retardo mental na família, E – epilepsia na família, A – alcoolismo, S – estresse, P – antecedentes psiquiátricos.
DNPM – Desenvolvimento NeuroPsicoMotor: M – retardo no desenvolvimento motor; L – retardo no desenvolvimento da linguagem, N – desenvolvimento normal

O uso do software “Aprendendo com Juca e Laura ®” bem como de novas abordagens pedagógicas elaboradas a partir do estudo realizado, permitiram uma aceleração da aprendizagem na APAE de Jundiaí, mesmo no caso daquelas crianças com extensas lesões estruturais (Fig. 4) e com um grande atraso no desenvolvimento neuro-psiquíco-motor. Essa aceleração da aprendizagem tem resultado na inclusão de um número cada vez maior de alunos da APAE no ensino regular ou supletivo.

Fig. 4 – Plasticidade neural

A despeito das lesões cerebrais congênitas, as crianças alcançaram um bom desenvolvimento na leitura, escrita e cálculo aritmético. Os Mapas Cognitivos Cerebrais mostram a realocação da funcionalidade cerebral que permite esse desenvolvimento.

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