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Artigos EINA - Neurociências

Imaginação

O processo de imaginação, no qual simulamos eventos que poderão ocorrer ou que teriam ocorrido, tem uma organização cerebral semelhante àquela de recuperar informações da memória, ou seja, do relembrar.

A simulação de eventos no processo de imaginar não utiliza uma memória específica, mas usa relações entre eventos, pessoas, objetos, etc. que se mostraram mais freqüentes em nossas observações do mundo, e que portanto estão melhor memorizadas.

A partir dessa memória mais geral, que chamamos em geral de memória de protótipos ou conhecimento genérico, simulamos na memória de trabalho, ou executiva, eventos possíveis e os localizamos no tempo e espaço. Essa memória organiza neurônios parietais e das áreas occipitais primárias, da mesma maneira como no processo do relembrar, para criar a sensação do imaginado.

À medida em que cresce o nosso conhecimento de mundo, aumenta nossa capacidade de imaginar. Mas ter uma mente criativa requer treinamento. É preciso aprender a buscar novas relações entre os fatos já aprendidos.

O imaginar se diferencia do relembrar, porque se apoia sobre a simulação de novas relações entre as coisas que já observamos, para criar o novo. O relembrar apenas recupera as relações vivenciadas.

Moldar uma mente criativa é ensinar a ela o jogo de simular relações plausíveis. É ajudá-la a definir quais as relações entre grupos de neurônios (áreas cerebrais) são úteis e quais as que devem ser evitadas. É aumentar o seu conhecimento geral sobre o mundo.

A simulação de relações ao acaso, quando dominante, define um raciocínio patológico. Gera visões distorcidas do mundo. Algumas disfunções cerebrais favorecem esse tipo de imaginação patológica ou alucinação. A fronteira entre o gênio criador e o patológico pode ser muitas vezes muito tênue.

O Faz de Conta é uma ferramenta de aprendizagem importante utilizada pela criança. Através da simulação ela se apropria das realidades do mundo em que vive.

 

 

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